quarta-feira, 13 de abril de 2011

Trânsito e educação

 Trânsito e educação

Na última sexta-feira do mês de fevereiro de 2011, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, um carro chocou-se contra aproximadamente 15 ciclistas.
Estas pessoas de bicicleta participavam de uma manifestação organizada por um grupo que tem como objetivo criticar as condições atuais do trânsito motorizado nas grandes cidades, bem como exigir e propor algumas alternativas, tal a bicicleta. Para isso, saem às ruas toda última sexta-feira de cada mês, no início da noite, para um passeio, que pode se transformar, em termos de volume de pessoas, em uma manifestação, dependendo do número de adeptos. Neste dia, os participantes variavam entre cem e 150.
Ao ocuparem toda a extensão da via, em uma movimentada rua de um bairro central da cidade, tornaram praticamente impossível a passagem de outros veículos automotores em velocidade maior que a deles.
Frente a esta impossibilidade, um motorista acelerou seu veículo motorizado, atingiu alguns dos manifestantes, que voaram sobre o carro, e seguiu. Sob a alegação de que fora ameaçado pelos ciclistas ao querer passar pela via, afirmou que para sua segurança e de seu filho precisou encontrar meio de sair dali.
                                                      
No âmbito educacional

Levando em conta a relevância social dos fatos mencionados, principalmente no que diz respeito a suas representações e conseqüências, a disciplina de Filosofia, em todo e ensino médio do Colégio Americano, com o apoio das disciplinas de Geografia, História, Biologia e Sociologia em algumas turmas, abriu espaço para análise e discussão deste fato, e do que o rodeia.
O breve trabalho consistiu na observação à cobertura de alguns meio de comunicação social impressos, na apresentação de um vídeo documentário sobre o tema (“Sociedade do Automóvel”, de 2004), e na discussão dos acontecimentos – com base nestes materiais trazidos e em outras informações colhidas por cada estudante.                               
Como ponto culminante, os debatedores, em seminário, munidos de suas anotações, contrapuseram suas considerações sobre os incidentes, buscando causas e analisando possibilidades. Do debate, organizaram suas ideias em textos não extensos – já que escritos em aula –, mas sob o calor da discussão. Destes, alguns dos mais representativos são os que seguem. Vale ressaltar que são tornados públicos pela igual relevância que leva a visão do jovem em relação a fatos ocorridos dentro da sociedade que é eminentemente formada por ele.

André Pares
Prof. de Filosofia


As pessoas e os meios de locomoção
Mariana Teixeira Fortes

Todos sabem que ser pedestre é um risco que corremos. Acrescentamos agora os ciclistas, que após um atropelamento ocorrido na noite da ultima sexta de fevereiro, já não tem mais seu espaço nas ruas da cidade.
O carro facilita e agiliza o deslocamento, mas dentro dele não estamos atentos ao que nos rodeia. Apenas em outros meios de locomoção podemos perceber o que está a nossa volta, sejam paisagens ou horrores. O ser humano já tem o carro como parte de seu corpo. Se ele estraga, é como se algum membro de seu corpo estivesse machucado.
Nota-se que tudo que ocorre nas cidades, de alguma maneira, é para melhorar o fluxo, o espaço que os automóveis utilizam e nunca para os pedestres, que de certa forma estão mais expostos aos riscos da cidade.
Todos devem ter os mesmo direitos, a diferença é que nem todos são respeitados; é como se estar dentro de um carro desse mais poder ao ser humano.
Para isso, são feitas as manifestações, com o intuito de conseguir soluções para terem seus direitos como cidadãos. O dinheiro arrecadado pelos impostos não é o suficiente para dar o espaço necessário para os ciclistas, ou melhor, o dos pedestres. Esse é o papel da “Massa Critica”, o meio encontrado para chamar a atenção da sociedade.

Adote uma bicicleta 
Letícia Bertoncello

Atualmente, ter um carro como parte da casa é a realidade para muitas pessoas. Antes de o automóvel existir, muitos indivíduos andavam a pé, tornando-se independentes, porém, hoje em dia, são obrigados a subordinar-se ao seu veículo.
O fato de brasileiros trabalharem e precisarem chegar a tempo em seus empregos coincide a outras realidades; no caso, a dos ciclistas. O trânsito foi gravemente interrompido por uma manifestação que pretendia demonstrar a paz e a diminuição de motores na cidade, porém o resultado foi o contrário.
Além do vídeo mostrado em aula apontar a violência no trânsito como um dos piores problemas, observamos a poluição gerada pelos veículos (aumento do aquecimento global e problemas de saúde), os assaltos (estamos mais sujeitos a sermos assaltados graças ao carro) e o próprio trânsito.
A solução sugerida foi o uso das bicicletas, pois além de custarem menos que um carro, diminuem a poluição e o espaço ocupado pelos automóveis nas ruas.
Finalizando, a bicicleta evitaria, aliás, amenizaria parte das questões geradas pelos veículos. No entanto, isso só se realizaria se a sociedade estivesse pronta para tal mudança (entre a utilização de carros para bicicletas) na cidade em que vivemos. 

12 bicicletas, 1 carro, 3 pistas
           Felipe Medeiros Pacheco


Mensalmente, a nível mundial, ocorre uma manifestação em prol do direito dos ciclistas de circularem livremente pelas cidades. Durante tal evento, realizado em Porto Alegre, um motorista de um automóvel atropela parte dos manifestantes, deixando alguns feridos, nenhum morto. O acontecimento tomou, então, grandeza nacional, indignando uma grande parcela da população brasileira. Com isso, surgem diversas criticas e muitas teorias, baseadas, muitas vezes, em sua opinião, como ciclista, ou no que a mídia expressa.
Avaliando o depoimento do réu, vemos que este se sentiu, teoricamente, ameaçado pelos ciclistas, que em meio a situação, ocupavam as vias com as bicicletas. Porém, como sabemos, a rua é sim preferencial para veículos automotores, e nesta situação, devemos ter cuidado se andamos, de bicicleta, por exemplo. Entretanto, juntam-se várias bicicletas para chamar a atenção ao grupo que apóia o uso deste meio de locomoção, sendo este mais sustentável, saudável, ágil e útil, além de democrático.
O que mais se comenta, é que automóveis não podem ter preferência nas vias, já que o espaço deve ser dividido com veículos tracionados por humanos, como bicicletas. Segundo o Artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro de 2008, “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.” O que mostra que ao fazerem a manifestação sem prévio conhecimento e apoio da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) os ciclistas, além de infringirem a lei, põem, realmente, sua segurança em risco.
Porém, não pensemos tão juridicamente. O motorista do carro, como a grande maioria destes, não se sente, como diz, ameaçado, mas sim prejudicado, o que o leva a atropelar os ciclistas. O que é mais impressionante nos seres humanos, é a individualidade. Os ciclistas, em sua maioria têm um carro, e usufruem dos direitos de um motorista. Tal como na faixa de segurança, onde o motorista que não quer esperar, outrora vira o pedestre que quer exercer seus direitos, tornando-se assim contraditório e individualista.
Não cabe a mim, portanto, optar pela total razão do grupo de ciclistas ou a total razão do motorista irritado. Porém, ao pesquisar sobre o projeto Massa Crítica, que organiza as manifestações, vi que o projeto é sim consistente. Mesmo não avaliando certas condutas, o site apóia o uso de bicicletas e ainda dá dicas sobre como se portar com elas nas cidades. Contudo, a maneira com que são feitas as passeatas é errada, visto que o trânsito é obstruído, o que é penalizado pelo Código de Trânsito, que impede que o condutor de tomar uma velocidade muito menor que a indicada para a via. Logo, os ciclistas põem-se fora do seu lugar adequado para circulação e ainda tornam o trânsito lento, além de, muitas vezes, expressar sua opinião de maneira agressiva.
O que está errado em toda a situação é a ética do motorista, que não opta por uma rota alternativa, querendo exercer seu direito, existente, de transitar por aquela rua. Não pensando sob leis novamente, o motorista realmente deveria ter esperado que os ciclistas passassem, já que vivemos em uma sociedade, e, ao meu ver, a convivência pacífica deve ser valorizada. Não sendo assim, gera-se um conflito em cima de algo chocante, que gera indignação geral, desnecessária.
Ambos os lados dessa briga, no entanto, passaram por mais um daqueles clichês, em que tinham razão, e por algum motivo, a perderam. Os ciclistas tinham direito de fazer sua manifestação, já que vivemos em um país livre, onde opiniões podem ser expressas. Porém, perdem sua credibilidade ao ocuparem três pistas de uma via, sem o consentimento da EPTC, e violando o Código de Trânsito, quanto a sua localização e velocidade. Já o motorista tinha total direito de transitar na via, já que as duas das três pistas são preferenciais a ele, e a outros veículos que desejam se locomover mais rapidamente. Porém, visto que o trânsito está obstruído, deveria, por bom senso, ter diminuído a velocidade ou mudando sua rota, evitando ferir, como ocorrido, 12 ciclistas, teoricamente inocentes. 
Assim, forma-se um dos assuntos mais falados da semana no Brasil, gerando polêmicas entre pessoas que, sem tomarem real conhecimento do assunto, reclamam da situação por apenas reclamar, revoltam-se por apenas se revoltar. 

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